quinta-feira, 24 de abril de 2014

OFICINA 500 Canções Brasileiras – Uma Proposta Pedagógica em Educação Musical com bases em nossas raízes. Livro texto: 500 Canções Brasileiras. 2ª ed. 2010.

O objetivo da oficina é desenvolver a capacidade de trabalho com educação musical de forma lúdica, com uso de brinquedos cantados, danças e jogos. Oferecerá subsídios para o conhecimento elementar da prática e da percepção musical. Os participantes poderão explorar suas próprias possibilidades musicais, bem como ampliar seu repertório de atividades de ensino, proporcionando o estudo de elementos da teoria musical e uma metodologia para trabalhar com dificuldades rítmicas ou de entonação. A oficina vai oferecer um amplo repertório de canções da cultura brasileira para o trabalho em sala de aula.

PÚBLICO ALVO: Musicistas, Cantores, Instrumentistas, Estudantes e Professores de Música, Teatro, Dança, Artes e Educadores em Geral.

DATA: 23 e 24 de Agosto de 2014

HORA: 23/08 (sábado) das 8h30min às 12h30min e das 14h às 18h
            24/08 (domingo) das 8h30min às 12h30min 

LOCAL: Teatro do Encontro - Rua Ernesto Alves nº 143 - Bairro N. Sra de Lourdes - Caxias do Sul - RS


INVESTIMENTO E FORMAS DE PAGTO
·   A vista R$ 190,00 pagamento até 07 Julho 20 ou 2 parcelas - 1ª parcela de R$ 100,00 até 07 Julho 2014 e 2ª parcela de R$ 100,00 até 08 de Agosto 2014
· Depósito banco Itaú ou tbm pode ser emitido um boleto bancário para pagamento em qquer banco, neste caso, acréscimo de R$ 3,50 em cada parcela.
· Cada participante receberá o Livro 500 Canções Brasileiras – Ermelinda Paz -  (já incluso no valor da oficina)

 INSCRIÇÕES:
· Enviar nome completo, endereço de e-mail, nro telefone celular, profissão para andrecxs@uol.com.br

· Após enviar inscrição, você receberá os dados para depósito bancário, que deverá ser realizado até o prazo escolhido. Obrigatório o envio de comprovante de depósito.

Importante: Após pagamentos, cancelamentos com devolução do valor pago só serão aceitos com 15 dias de antecedência do início da oficina. Após esse prazo, não devolveremos o valor investido.

APRESENTAÇÃO DO LIVRO "500 CANÇÕES BRASILEIRAS"


  • "Esta coletânea de canções folclóricas brasileiras foi organizada para aplicação no ensino da música. Contém 500 canções selecionadas e classificadas para servir de material de trabalho nos diferentes capítulos de Percepção Musical. Assim, os elementos estudados na Teoria Musical, bem como cada dificuldade rítmica ou de entonação, habitualmente encontradas nas aulas de Solfejo, têm aqui seu grupo de canções para exercício.
    Mas por que folclore? Esta é a música que o nosso povo cria e preserva em sua memória. Ela jorra da vivência do homem brasileiro, de seus movimentos, de sua voz e por isto encerra os traços mais profundos de sua alma, seu jeito de ser, seus anseios e símbolos inconscientes. Desde o passado remoto estas formas musicais se segmentam, se cristalizam, se purificam no sentir cotidiano de nossa gente e ganham a história como componente importante da identidade nacional
    Simplicidade, clareza e sobriedade são qualidades inerentes a toda a música folclórica. Mas no Brasil esses traços coexistem com extraordinária riqueza de formas.
    É ponto pacífico que a educação musical deve ser feita com base num material artístico variado e cuidadosamente escolhido, que inclua o folclore, ao lado dos melhores exemplos da música erudita universal Sobre os benefícios da utilização do folclore, podemos dizer que:
    1. é uma excelente música e traz para as aulas muita beleza com o conseqüente prazer de cantar, em substituição ao aborrecimento dos exercícios técnicos destituídos de musicalidade, tão em voga nos manuais à venda por aí.
    2. favorece a integração comunitária do músico, ligando-o a seu povo, à sua história e facilitando a ação social de sua música.
    3. contribui para a preservação da identidade cultural do país.
    Esta proposta nada tem de inédita. Desde meados do século passado, com o surgimento do nacionalismo musical, grandes compositores com Glinka, Rimski-Korsakov e Wagner insistiam na importância das fontes populares como base e matéria-prima de toda a criação musical A partir de então vemos crescer continuamente o prestígio do folclore na educação musical até a importância superlativa que a canção folclórica assume no trabalho pedagógico de Kodaly e Orff.
    No Brasil o código lingüístico do folclore musical se transfere para a música urbana comercial e erudita, fazendo-a extrapolar para novas e surpreendentes dimensões. A seresta e o samba, o baião e o choro são descendentes diretos de gêneros tradicionais de nossa música. Em Luiz Gonzaga, Pixinguinha, Villa-Lobos, Radamés Gnattalí e em todos os nossos grandes compositores, o vigor e originalidade da criação musical são indissociáveis do seu componente étnico. Entretanto, os mecanismos desta transferência se situaram sempre nas ocasiões de vivência comunitária e na transmissão oral. Isto é, correm por fora do ensino formal da música. Até à metade de nosso século, salvo raríssimas exceções, nas salas de aula se combatia a presença da música brasileira. A estética oficial sempre foi a da elite, que, voltada para os valores estrangeiros, alimenta uma visão depreciativa de tudo o que vem do povo, considerando o folclore como sinal de atraso e subdesenvolvimento. Até então a preservação da tradição musical brasileira estava garantida e não corria qualquer risco de debilitamento. Isto porque as camadas populares, espalhadas pela vastidão do território nacional, formavam redutos impenetráveis de preservação e resistência.
    Nas últimas décadas, entretanto, esse quadro sofre drástica transformação. Assistimos o enfraquecimento e a extinção das manifestações folclóricas em todo o país. Com a aceleração da industrialização e da urbanização, grandes contingentes da população são deslocados para novos contextos e adotam novos hábitos culturais. Exatamente nesta fase ocorre o avanço da produção seriada de música, as gravações fonográficas e a expansão avassaladora dos veículos de comunicação de massa, levando a reprodução mecânica de música a cada lar brasileiro.
    Em todo esse período, importantes transformações se dão sem qualquer planejamento cultural, numa política oficial de terra arrasada em que, ao invés do fomento à produção cultural do homem brasileiro, vigora o critério único do lucro imediatista da indústria multinacional, mais interessada em colocar no mercado seus enlatados musicais. Para isso muito contribuiu a censura aos artistas, a repressão à livre expressão e à participação política do povo nos anos de ditadura. Como conseqüência, a evasão abundante de divisas pela importação de música se combina com a crise de emprego entre nossos músicos. Dá-se em muitas regiões a total ruptura da continuidade cultural. Hoje temos emissoras que tocam 98 por cento de música em idioma estrangeiro, ao mesmo tempo vemos que nossas crianças já não cantam cirandas e nossos jovens ignoram quem são Chico Buarque ou Milton Nascimento.
    A arte é um reflexo da vida e pode mobilizar as pessoas para a transformação da realidade. O artista funciona como órgão sensor e expressivo da sociedade. Por isso é fundamental que ele se identifique pelas causas e pela linguagem com o seu povo.
    Todos sabemos que a identidade cultural é o principal fator de coesão de um grupo. Povo que perdeu sua identidade é mais fácil de ser dominado. Por isso é que recebemos com alegria os trabalhos que visam trazer para o ensino formal o maravilhoso acervo do folclore nacional. Não se trata de ensinar folclore, mas de usá-lo onde se fizer oportuno, para que sua riqueza soda destilada na sensibilidade das novas gerações nutrindo-as e energizando-as. Na atual situação, esta produção didática, realizada com tanto esmero sobre as raízes mais profundas da música brasileira, é um ato político em afirmação da soberania cultural de nossa gente. Congratulo-me com a autora." Hélio Sena. Apresentação do livro 500 Canções Brasileiras, p. 10-11

QUEM É ERMELINDA PAZ

   
     Livre-Docente pela UNIRIO. Professora Titular (UFRJ), Adjunto IV (UNIRIO), aposentada em ambasPesquisadora do CNPq e líder do grupo de pesquisa Música e Educação Brasileira/UFRJ.
      Prêmios em concursos de pesquisa monográfica, a saber: Sílvio Romero, 1983. INM da FUNARTE; Villa-Lobos e a música popular brasileira, 1988. MVL / MinC; Villa-Lobos, sua vida e obra, 1988. OEA e Governo Brasileiro; Concurso Grandes Educadores Brasileiros, 1988. INEP/MEC; Concurso Lúcio Rangel, 1989. FUNARTE; e Prêmio Carioca de Pesquisa Monográfica, 1995. Secretaria Municipal de Cultura do RJ.

Autora de: As Pastorinhas de Realengo, 500 Canções Brasileiras, Villa-Lobos, o educador, Jacob do Bandolim, Pedagogia Musical Brasileira no Século XX, O Modalismo na Música Brasileira, Villa-Lobos e a Música Popular Brasileira; e Edino Krieger: crítico, produtor musical e compositor, dentre outros.

Maiores informações consultar: http://www.ermelinda-a-paz.mus.br